quarta-feira, setembro 14, 2005

Porque é que as pessoas têm vergonha de pedir o Livro de Reclamações?

É um facto... mas mais do que isso, é um direito que nos assiste: O Livro de Reclamações existe e serve para ser pedido quando há uma situação premente que o exige. Vou contar um caso que se passou comigo: Entrei numa casa de comércio (sobejamente conhecida o qual nome vou omitir porque nem publicidade negativa eu desejo que esta casa tenha), e estive meia hora quase 3 quartos de hora para ser atendida Dirigi-me a vários empregados que literalmente me empurraram para outros empregados que supostamente eram do sector pretendido. Não obstante isto que aconteceu e em parte devido ao mau acondicionamento dos artigos na loja, encostei-me a uma das prateleiras e parti um artigo com algum azar meu. Apanhei-o do chão, e assim que o faço aparece-me logo uma empregada prontamente a quem eu dei a peça para a mão, e que sem mais me diz: "vai ter de pagar isto que partiu..." Olhei para a referida empregada e respondi-lhe que não me tinha passado pela cabeça não pagar, mas como já estava alí há três quartos de hora para ser atendida e agora tinha sido abordada naqueles termos, agora para além de pagar queria também o Livro de Reclamações. A mulher empalideceu e disse que me deveria dirigir ao balcão onde se efectuavam os pagamentos. E assim fiz. Dirigi-me ao balcão e pedi o referido Livro, ao que me responderam que tal Livro não existia. Na minha cabeça só havia uma coisa a fazer: chamar as autoridades para tomar conhecimento da ocorrência. Dirigi-me para a porta quando uma outra Senhora que se intitulou Gerente me chamou para conversar (ou para me calar). Relatei-lhe o sucedido com alguma indignação. Mas para abreviar este caso triste, a dita gerente já não queria que eu pagasse a peça e já me pedia para apontar o dedo à empregada com quem tinha contecido o incidente. Respondi-lhe que para além de pagar, não ia apontar o dedo a ninguém para que fosse despedido porque isso não ia tapar a questão da falta do Livro de Reclamações. A história acabou aqui porque eu acabei por não querer andar mais para a frente com a queixa, mas espero que esta situação tenha servido para algo, pelo menos para que arranjem um livro e para que treinem melhor os empregados que vendem em lojas muitas vezes sem qualquer tipo de formação. Onde é que quero chegar com esta história? Que se deve reclamar (e em certas situações levá-la mesmo às últimas consequências). Optei por não o fazer, porque achei que no caso o susto foi suficiente para que pensassem duas vezes no que aconteceu (apesar de que hoje em dia penso que deveria ter tratado do caso judicialmente para que não voltasse a acontecer com ninguém mais), pelo menos naquela loja. O que penso é que se deve reclamar e exigir justiça quando temos direito a ela, mesmo que a situação não fique resolvida como queremos, de certeza que a cena não se repetirá uma vez mais. Quanto ao Livro de Reclamações se tivermos vergonha ou medo de o pedir nunca saberemos se ele existe, e ele nunca será facultado. É a boa maneira Portuguesa de Viver.
The Woman of The Revolution has Spoken

1 Comments:

Blogger ANTONIO MELÃO said...

Também já me aconteceu parecido e também me disseram que não tinham para evitar uma folha negra... não faço ideia quem é que controla as queixas no livro. Sabes?
Enfim o Portugal dos pequeninos...
kiss - CM

1:37 p.m.  

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