Como é que é possível?
Um dia destes, andava com a minha mãe pela baixa, e deparámos com as belas vacas que pululam a nossa cidade.
Estas vacas que pertencem a um evento de arte pública inédito em Portugal, realmente dão uma cor diferente às ruas, e até parece que andamos no meio do campo, com tais bovinos a alegrar as nossas vistas.
No entanto, não pude deixar de fazer um comentário com a minha mãe, que me parece que até foi bem oportuno. Disse então “Vamos lá ver quanto duram as vaquinhas intactas, e sem serem grafitadas ou sem que sejam alvo de algum acto de vandalismo”.
No dia seguinte, descubro que uma das vacas tinha desaparecido….
Bom… senti-me uma daquelas videntes que fazem futurologia, se bem que tendo sempre a pensar que o mal é mesmo pensar que as coisas podem acontecer.
Parece que vivemos mesmo num país muito pouco civilizado, em que mais uma vez se tem que destruir as coisas relevantemente interessantes que se fazem no nosso país.
Meus amigos…podia ser uma manifestação de arte cultural sobre porcos, galinhas ou hipopótamos, que tal como aconteceu com a Vaca Cowpyright um desses animais haveria de desaparecer.
Vá lá que reapareceu dois dias depois para os lados da Ajuda, talvez porque quem a roubou tenha tido receio do que lhe pudesse acontecer. É que enquanto os animais andarem por Lisboa, as vacas serão tão sagradas como na Índia e ai de quem se meter com as belezas de quatro patas.
Depois destas palavras que aqui vos deixo, uma pergunta mais me vêm à cabeça: Porque é que em vez de colaborar para as coisas positivas da vida, os portugueses pensam em destruir tudo o que de válido se tenta fazer?
O que eu penso é que os portugueses não estão preparados para as coisas civilizadas.
Na realidade nós somos em alguns aspectos, um país do 3º mundo que vive de aparências.
Se a Padeirinha de Aljubarrota não tivesse dado com a pá na cabeça do Espanhol, talvez tivéssemos aprendido algo mais com nuestros hermanos, que em certas coisas estão a anos de luz de nós.
O bom mesmo era sermos campeões em algo que nos colocasse no topo da lista daqueles que realizam coisas nobres, e não estar constantemente em listas negras a que ninguém deseja pertencer.
Vamos meditar um pouco sobre a nossa maneira de estar e pode ser que consigamos crescer como seres humanos e como portugueses.
Aqui vos deixo a fotografia de uma das nossas convidadas. esta é a vaca do Gato-Preto que se encontra na Rua do Carmo, na Baixa Lisboeta.
The Woman Of The Revolution Has Spoken
